domingo, 16 de novembro de 2008

Um flanar (quase) involuntário

O plano era amoçar comida caseira e tocar. Então lá estávamos nós diante da refeição nada agradável que era a caseira. "Vamos comprar refrigerante" disse Bárbara com sua carinha serelepe e seus olhinhos azuis, num bager de cílios. Me diga: quem em sã consiência resiste a tão imensurável fofura? Então tive de concordar com ela, porque afinal nós precisávamos de algo que não fosse saudável e possuísse pelo menos um nível mínimo de conservantes e óxidos nitrosos que corroessem nossos ossos.
A linda e delicada moça, colocou seus chinelinhos cor de rosa, exibindo os dedinhos pintados de salmão desbotado que se sacudiam ocasionalmente. [Tá bom, quem conhece a Bárbara sabe que ela não é esse teletubbie, mas é tão mais divertido fantasiar...]
Fomos ao banco pegar dinheiro para realizar nossa tarefa. No caminho discutimos sobre a história de uma princesa-travesti sino-japonesa. Não entrarei em detalhes pois a história dessa criatura é repleta de dor, com direito a sapatos apertados que deixam os pés pequenos e deformados.
Ao chegar no banco descobrimos que a fila do caixa eletrônico estava maior que a dívida externa brasileira. Desistimos de pegar o dinheiro. Em contrapartida surgiu a ideia de deixar de lado a refeição caseira e saudável para comermos algo no pátio savassi. Bárbara concordou plenamente coma ídeia, mas, talvez pelo fato de termos conversado sobre os pés da tal princesa-trava, ela se lembrou de seus enormes e fofos dedos tamanho família que estavam de fora em seu chinelinho rosa. Ela teve um acesso de vergonha e tivemos de voltar a sua casa para que ela pudesse trocar seus chinelos por um par de botas mexicanas. A botas eram tão mexicanas que você quase conseguia sentir aquela emoção dramática com nomes duplos vindo delas.
Com bota e tudo, lá se vamos nós prontos para devorar uma boa comida gostosa de shopping.
Eis que no sinal de pedestres, a esperar para atrvessar a rua, ocorre um atentado à higiene pessoal de nós, pobres flanantes ingênuos (a Bárbara não ingênua nem um pouco, mas vou deixar isso escrito para não descaracterizar a condição de flâneur). Do céu, cruel e doloroso, sem nenhuma piedade, um ser alado despeja sobre nós os dejetos de uma alimentação prévia.

O POMBO CAGOU NA GENTE, PORRA!

pequeno trecho da bíblia da igreja transcontinental multiangular do reino dos flâneurs:
"Como que alguém faz isso com duas pessoas prestes a se alimentar? Os pombos são criaturas vis, que nunca conseuirão entender a glória do flanar. Eles vão percer no inferno depois do dia do juízo final, porque eu ODEIO ELES, e Deus não vai deixar que eles sejam felizes porque só EU estou certo e o resto vai tudo se fuder!!!!! Dêm o dízimo aos mendigos flanantes e...."



Voltando à narrativa depois desse desabafo teológico, fomos ao pátio savassi onde, depois de nos limparmos, comemos comida japonesa e pizza. A Bárbara ficou com sua ilusão de que estava comendo comida saudável (você realmente acha que aquela algazinha não passou por uns trezentos tratamentos com conservantes cancerígenos de todo tipo, minha cara?) e eu com minha ilusão de que estava comendo uma pizza de verdade (pizzas de praça de alimentação nunca são de verdade).

Na volta passamos pelo banco pra ver que a fila agora estava do tamanho da dívida esterna de um país da áfrica central, o que é algo maior que antes, então resolvemos que pegaríamos dinheiro no caixa eletrônico da faculdade de arquitetura.

O prédio dessa faculdade é uma grande pegadinha. A fachada é linda e impressionante com revestimento de vidro e metal e uma escada recurvada. Então você passa pela escada recurvada esperando uma maravilha arquitetônica tridimensional com acabamento moderno e reluzente e com algo impressionante assinado por Oscar Niemeyer e dá de cara com um prédio normal. Sacanagem isso.

Demos uma volta até a biblioteca e depois descemos até o caixa eletrônico. Sentamos em duas poltronas e apreciamos um arranjo de fios amarelo feito entre duas pilastras do pátio exterior. Os fios eram elástico e resistentes pois um sujeito até se escorou neles, mas eles não cederam. A Bárbara quer saber de que material que é feito aquilo. Eu também. Nós vmaos ter isso em nossas casas, quando tivermos e os fios da Bárbara serão vermelhos. Eu ainda não decidi sobre os meus.

Por fim, voltamos para a casa para tocar. Mas ja era hora de ue ir embora para o meu cursinho e Bárbara pegar o ônibus para ouro preto. O ensaio acabou adiado.

Um comentário:

Anônimo disse...

triste mas é verdade, predios de niemeyer são até mais normais que os outros por dentro ._.