Andando hoje pela Afonso Penna, passei por uma manifestação à favor da retirada dos israelenses da Palestina. Devia ser permitida, porque havia carros de polícia a acompanhando. Embora eu estivesse com pressa, me deixei ficar no passeio observando passarem. Na frente ia um carro de som da CUT, e um senhor magrel, negro e evangélico falava de como aquela foi a terra por onde Jesus andou e essas coisas. Não acho que deveríamos nos opôr ao que Israel faz por lá só porque é uma terra santa, mas ainda assim me parece apreciável que se tenha simpatia pelo sofrimento de povos tão distantes...
Descendo mais a avenida, outra demonstração: um grupo de pessoas fantasiadas fazem uma performance na rua para alertar sobre a ameaça que a dengue representa. Seguram um mosquito gigante e explicam como evitar a doença.
Na praça Sete, algumas mulheres sorridentes vendem alguma coisa. Para todos os lados, as pessoas são diferentes e suas roupas, sua postura, seus olhos, comunicam coisas diferentes. No centro de uma cidade tão grande e cheia, temos um redemoinho de idéias e sentimentos que se confudem e se mesclam criando o espírito da cidade. Eu vivo numa cidade que pode falar a si mesma, mesmo que não consiga sempre se ouvir.
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Mais tarde, vejo um taxista contar da conversa que teve com um argentino:
"Ele disse que nesse país só tem violência, é violência no Rio, é violência aqui. Que nem futebol tem mais, que futebol agora só tem na Argentina. Eu virei pra ele e disse 'Então por que é que você não vai embora?' e ele começou a dar desculpa, a falar da mulher e eu disse 'Então pára de falar essas coisas, porque vai que você fala com um mais esquentadinho, ele te quebra a cara!'"
Não sei se me diverti com a ironia ou se me orgulhei do patriotismo.